O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas (ONU), apresentou nesta quarta-feira (25) um relatório dedicado aos efeitos das alterações climáticas nos oceanos e nas massas de gelo permanentes da Terra. A devastação dos mares e das regiões geladas devido às alterações climáticas é o grande problema apontado no documento.
É urgente priorizar «ações oportunas, ambiciosas e coordenadas» de forma a enfrentar estas mudanças «sem precedentes e duradouras» nos oceanos e na criosfera – regiões cobertas por gelo e neve permanentes e que constituem 10% da superfície do planeta –, alerta o relatório.
Durante este século, os oceanos poderão sofrer alterações «sem precedentes», com temperaturas mais altas, água mais ácida, menos oxigénio e condições alteradas de produção de recursos.
O gelo das regiões geladas, como o Ártico por exemplo, estão derreteno a um ritmo nunca antes registado e, em consequência, o nível dos oceanos está elevando pondo em causa a vida de mais de milhões de pessoas, advertem os cientistas no documento.
O IPCC estabelece que «o oceano e a criosfera acolhem habitats únicos e estão ligados a outros componentes do sistema climático através de trocas globais de água, energia e carbono».
A verdade é que cerca de «670 milhões de pessoas nas regiões de alta montanha e 680 milhões de pessoas nas zonas costeiras mais baixas dependem diretamente destes sistemas». Por exemplo, pelo menos «4 milhões de pessoas vivem permanentemente na região do Ártico» e serão afetadas com o degelo e a subida do nível do mar.
Este relatório destaca, ainda, os benefícios de uma adaptação «ambiciosa e eficaz para o desenvolvimento sustentável» e os «custos e riscos crescentes de uma ação adiada».
Mais 1ºC
A temperatura global já «atingiu 1.ºC acima do nível pré-industrial», alertam os cientistas. Este aquecimento global deve-se às «emissões passadas e atuais de gases de efeito de estufa» e já há provas «esmagadoras de que isso pode provocar profundas consequências para os ecossistemas e as pessoas».
Os cientistas do painel constataram que os oceanos estão aumentando a temperatura desde 1970, absorvendo «mais de 90% do calor em excesso no sistema climático», com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.
«Ao absorver mais dióxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez à superfície», esclarecem os cientistas, considerando muito provável que 20 a 30% do dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde 1980 foi parar no oceano e provocou uma perda de oxigénio desde a superfície marinha até aos mil metros de profundidade.
O problema é que com o degelo e a diminuição permanente das massas geladas ameaça libertar ainda mais dióxido de carbono e, assim, acelerar ainda mais esta devastação dos oceanos e da criosfera.O IPCC diz que esta subida do nível médio global dos oceanos foi acentuada no período de 2006 a 2015 em relação ao último século e a um ritmo de 3,6 milímetros por ano, atribuindo-a principalmente às massas de gelo e glaciares que derreteram.
Na Antártida, as perdas de gelo «triplicaram no período entre 2007 e 2016 em relação ao período 1997-2006», o relatório conclue com «confiança alta» que «a causa dominante da subida do nível médio do mar desde 1970 tem origem humana».
Os cientistas prevêem que a subida do nível dos oceanos atinja 15 milímetros por ano em 2100 e «vários centímetros por ano no século XXII». No entanto, não descartam a possibilidade de a subida do mar ser uma realidade anual ainda neste século.
Os cientistas do painel dizem que uma «redução urgente das emissões de gases de efeito estufa» pode limitar e desacelerar as mudanças nos oceanos e na criosfera, assim como possivelmente preservar «os ecossistemas e os meios de subsistência» que dependem dos oceanos.










