De 51 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Projeções Broadcast, 44 preveem um aumento de 1 ponto porcentual na taxa básica, a Selic, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira
Apenas sete instituições consultadas mantiveram as apostas em um ajuste mais duro da taxa básica de juros nessa reunião, o que foi cogitado após os dados mais recentes da inflação mostrarem um IPCA acumulado de 9,68% em 12 meses até agosto.
Economistas chegaram a apostar em uma «paulada» nos juros ainda mais forte que a alta de 1 ponto da última reunião do Copom, que elevou a Selic para 5,25% ao ano. Para se ter uma ideia da intensidade da medida, a última vez que o BC aumentou a taxa básica de juros em mais de 1 ponto de uma só vez foi em 2002, no fim do governo FHC.
No entanto, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, realinhou as expectativas na semana passada ao garantir que o Copom vai manter «o plano de voo». Ele afirmou que o Copom elevará a Selic o quanto for preciso para conter a inflação, mas esclareceu que o colegiado não irá reagir a cada novo dado.
«Passei a noite pensando sobre isso (a fala de Campos Neto) e voltamos para a projeção para alta de 1 ponto na Selic», diz o superintendente da Assessoria Econômica da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Gonçalves, que antes projetava uma alta de 1,25 ponto, para 6,5%.
Além da reunião desta semana, o Copom ainda terá mais dois encontros neste ano – em outubro e dezembro. Com a manutenção do ritmo atual, Gonçalves acredita que o BC continuará aumentando os juros no começo de 2022, até que a Selic chegue a 8,5% ao ano.
O economista diz que, para ser mais agressivo agora e trazer a inflação para o centro da meta de 3,5% no próximo ano, o BC teria de sacrificar mais o crescimento da economia em 2022. «Fazer política monetária não é fácil, tem muita sintonia fina, sobretudo em um ambiente com tantos riscos e incertezas», diz.
Risco para 2022
Diante das dificuldades, parte do mercado financeiro já prevê que o BC vai descumprir em 2022, pelo segundo ano consecutivo, a tarefa de entregar a inflação dentro da meta. A informação foi apurada pelo Estadão/Broadcast com agentes de mercado, inclusive com alguns que tiveram assento no Copom.
«O Focus e demais projeções públicas são fundamentais para criar um consenso prospectivo. Mas é na hora de colocar o dinheiro que se vê qual é a informação mais certeira. Se bancos, corretoras e outras casas já estão usando esse material como ferramenta de base, é ele que vale de verdade», afirmou uma fonte.
O economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, diz que, mesmo que a Selic chegue a 8%, o patamar já não é mais suficiente para garantir a inflação no centro da meta em 2022. «Acredito que o Copom vai, sim, acomodar alguma inflação acima do centro da meta, até porque elevar demais a Selic agora pode a fazer a inflação escorregar para baixo da meta em 2023», diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.










