O Brasil, a China, Índia e a África do Sul cobraram nesta quarta-feira (15) dos países desenvolvidos apoio financeiro e tecnológico para a luta contra a mudança climática, em linha com o Acordo de Paris de 2015.
Os quatro países, que integram a aliança Basic, fizeram a cobrança em entrevista coletiva em Bonn, na Alemanha, onde está sendo realizada a Cúpula do Clima deste ano (COP23), na qual os participantes tentam formalizar o acordo negociado há dois anos.
O negociador-chefe da China para Mudança Climática, Xie Zhenhua, lembrou que na cúpula de Paris foi pactuado que os países desenvolvidos seriam os primeiros a começar a reduzir as suas emissões poluentes e que se encarregariam de repassar ao Fundo Verde para o Clima US$ 100 bilhões anuais previstos para enfrentar os prejuízos causados pelo aquecimento global.
Xie, que destacou que esses quatro países reivindicam o mesmo que todas as economias em desenvolvimento, se mostrou esperançoso que a COP23 sirva para implementar os «requisitos» de Paris e que os países desenvolvidos cumpram a meta prometida para 2020, ano no qual deve começar a valer o Fundo Verde para o Clima.
O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Sarney Filho, advertiu que a questão do financiamento é essencial e que as «tentativas para mudar as regras» dos fundos de adaptação seriam «um desvio do espírito de Paris» e equivalente a tentar «reescrever» o acordo.
Para o ministro, se estas tentativas se consumarem, prejudicarão os plano de países em desenvolvimento de intensificar progressivamente a redução de suas emissões.
Sarney Filho acrescentou que os países do Basic estão muito concentrados na «necessidade de progressos reais na implementação de Paris» em Bonn e desejam um «texto claro e funcional» ao final dessa cúpula, na sexta-feira (17).
«Não temos tempo a perder. Quando maior for o progresso, mais cedo poderemos nos colocar em andamento para conseguir os objetivos de Paris «, argumentou.
Já o ministro de Meio Ambiente, Florestas e Mudança Climática da Índia, Harsh Vardhan, ressaltou que as economias desenvolvidas devem «apoiar financeira e tecnologicamente» as economias em desenvolvimento e apontou que é necessário manter a «diferenciação» entre países para a «justiça climática».
A ministra sul-africana de Assuntos Ambientais, Edna Molewa, pediu progressos na estruturação do Fundo Verde e também «previsibilidade» para o futuro, para que os países que beneficiados possam se planejar.
Fonte: Agência Brasil










