Taxa básica de juros foi definida no intervalo entre 0,75% e 1%

Por g1

O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (4) elevar a taxa básica de juros para o intervalo entre 0,75% e 1% — uma alta de 0,5 ponto percentual. Fed não fazia uma elevação dessa magnitude desde maio de 2000.

A decisão veio dentro do esperado pelo mercado financeiro. Além disso, a autoridade monetária americana anunciou, em conjunto, um programa de venda de títulos para desestimular a economia.

O Fed mostrou preocupação com o curso inflacionário do país, que segue refletindo os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços.

«Apesar da atividade econômica geral ter diminuído no primeiro trimestre, os gastos das famílias e o investimento fixo das empresas permaneceram fortes. Os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego diminuiu substancialmente», diz nota do BC americano.

O Fed apontou ainda que monitora as implicações «altamente incertas» da invasão da Ucrânia pela Rússia na economia americana, que renovam as pressões sobre a inflação e pesam sobre a atividade econômica. Cita também que os bloqueios relacionados à Covid na China «provavelmente exacerbarão as interrupções na cadeia de suprimentos».

«Com o adequado fortalecimento da política monetária, o Comitê espera que a inflação volte ao seu objetivo de 2% e o mercado de trabalho continue forte. Em apoio a essas metas, o Comitê decidiu aumentar a faixa-alvo para a taxa dos fundos federais para 3/4 a 1% e prevê que os aumentos contínuos na faixa-alvo serão apropriados», disse o Fed.

O Fed também não descarta ajustar a postura da política monetária conforme apropriado se surgirem riscos que possam impedir o alcance das metas, incluindo leituras sobre saúde pública, condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação internacionais.

Venda de títulos

Além da elevação dos juros, o Comitê decidiu começar a reduzir suas participações em títulos do Tesouro, dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências em 1º de junho. A autoridade monetária, portanto, inverte o sinal que adotou durante a pandemia, em que utilizava um programa de compra de títulos para estimular a economia americana.

Segundo o Fed, os títulos do Tesouro terão venda limite de US$ 30 bilhões por mês e, após três meses, aumentará para US$ 60 bilhões por mês. Para dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências, o limite será inicialmente fixado em US$ 17,5 bilhões por mês e, após três meses, aumentará para US$ 35 bilhões por mês.

«Para garantir uma transição suave, o Comitê pretende desacelerar e, em seguida, interromper o declínio no tamanho do balanço patrimonial quando os saldos das reservas estiverem um pouco acima do nível que considera consistente com reservas amplas», disse o Fed.

«Uma vez que o escoamento do balanço tenha cessado, os saldos das reservas provavelmente continuarão a cair por algum tempo, refletindo o crescimento de outros passivos do Federal Reserve, até que o Comitê julgue que os saldos das reservas estão em um nível amplo», prossegue.