O corte de 0,25 ponto percentual já era esperado por economistas e vem após dados mais fracos do mercado de trabalho norte-americano. O único voto contrário foi de Stephen Miran, indicado por Trump, que defendeu reduzir os juros em 0,5 ponto.
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu as taxas de juros do país em 0,25 ponto percentual (p.p.), para a faixa de 4% a 4,25% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (17), veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Esse foi o primeiro corte de juros nos EUA em nove meses. A última redução havia ocorrido em 18 de dezembro, quando a taxa passou a ser de 4,25% a 4,50% ao ano. Desde então, foram cinco reuniões consecutivas sem alteração.
O Fed também divulgou hoje novas projeções, mostrando que a maioria de seus líderes prevê pelo menos dois cortes de juros ainda neste ano. A autoridade monetária terá mais duas reuniões em 2025: no fim de outubro e na primeira quinzena de dezembro.
A decisão de hoje tem como pano de fundo os sucessivos ataques ao Fed pelo presidente Donald Trump — que há meses pressiona seus integrantes por juros menores — e a tentativa do republicano de demitir Lisa Cook, diretora da instituição.
O caso inédito de demissão de um integrante do Fed foi parar na Justiça, que suspendeu a decisão. Agentes do mercado financeiro reagiram com preocupação, enxergando a medida como um ataque do presidente à independência do banco central americano.
- 🔎 A política de juros nos EUA gera reflexos no Brasil. Quando as taxas americanas caem, tende a diminuir a pressão para que a taxa básica de juros brasileira (Selic) permaneça elevada. Além disso, há possíveis efeitos sobre o câmbio, com valorização do real frente ao dólar. (leia mais abaixo)
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) informou que a criação de vagas de trabalho desacelerou no país, enquanto a taxa de desemprego teve leve alta, mas segue baixa. Ressaltou ainda que a inflação avançou e permanece em patamar relativamente elevado.
«O Comitê estaria preparado para ajustar a condução da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam prejudicar o alcance de seus objetivos», disse o colegiado.
Segundo o documento, o único integrante a se opor à decisão foi Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump e aprovado na segunda-feira (15) pelo Senado americano para o cargo. Ele defendeu a redução da taxa de juros em 0,5 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano. (leia mais abaixo) G1
Por André Catto, g1 — São Paulo











