Usar fio dental uma vez por semana pode reduzir o risco de AVC

Segundo novo estudo, esse acessório de higiene bucal foi associado a uma diminuição de 22% nas chances de AVC isquêmico e de 44% em casos de AVC cardioembólico

Usar fio dental é essencial para a saúde bucal, prevenindo cáries e gengiva inflamada. Mas você sabia que esse item de higiene bucal também pode reduzir os riscos de acidente vascular cerebral (AVC)? Pelo menos é isso o que sugere uma equipe dos Estados Unidos que realizou acompanhamentos regulares em seis mil voluntários ao longo de 25 anos.

De acordo com comunicado enviado à imprensa, os resultados encontrados serão compartilhados na Conferência Internacional sobre Derrame 2025, evento organizado pela American Stroke Association, que ocorrerá em Los Angeles, entre 5 e 7 de fevereiro.

“Um relatório global recente revelou que doenças orais afetaram 3,5 bilhões de pessoas em 2022, tornando-as as condições de saúde mais disseminadas”, explica Souvik Sen, autor principal do estudo, no comunicado. “Por isso, nosso objetivo era determinar qual o comportamento de higiene oral – uso de fio dental, escovação ou visitas regulares ao dentista – tem o maior impacto na prevenção de AVCs”.

Correlações identificadas

O estudo foi nomeado como Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) (“risco de aterosclerose em comunidades”), e se trata de uma das primeiras investigações em larga escala desse tipo nos EUA. A avaliação do uso doméstico do fio dental se baseou em um questionário estruturado, respondido por 6.258 pessoas.

Durante a pesquisa, os participantes foram questionados sobre pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo, índice de massa corporal, educação, escovação regular e visitas ao dentista. Cerca de 82% dos voluntários eram adultos brancos e 18% negros. A idade média deles era de 62 anos e 55% eram mulheres.

Entre aqueles que relataram usar fio dental, 4.092 não sofreram derrames durante o período avaliado e 4.050 não foram diagnosticados com batimentos cardíacos irregulares, condição também conhecida como fibrilação atrial (AFib). Por sua vez, 434 participantes sofreram AVCs — dos quais 147 estavam associados a coágulos cerebrais de artérias maiores, 97 a coágulos cardíacos e 95 ao endurecimento de artérias menores. Além disso, 1.291 voluntários foram diagnosticados com AFib.

Com base nesses dados, a equipe verificou que o uso do fio dental foi associado a um risco 22% menor de acidente vascular cerebral isquêmico, 44% menor de acidente vascular cerebral cardioembólico (coágulos sanguíneos que saem do coração) e 12% menor de AFib.

Percebeu-se que o menor risco associado foi independente da escovação regular e das visitas de rotina ao dentista ou de outros comportamentos de higiene bucal. Já aumentar a frequência do uso do fio dental apresentou uma chance maior de redução do risco de derrame, bem como uma menor chance de cáries e doenças periodontais.

“Os comportamentos de saúde bucal estão ligados à inflamação e ao endurecimento das artérias. O uso do fio dental pode reduzir o risco de derrame ao diminuir as infecções orais e a inflamação e encorajar outros hábitos saudáveis”, conclui Sen.

As limitações do estudo incluem dados baseados em respostas autodeclaradas. Além disso, o acompanhamento de 25 anos parece ter se concentrado apenas em resultados de derrame e coração. Não houve, por exemplo, consultas sobre uso de fio dental ou outros comportamentos orais ao longo dos anos.

Mesmo assim, este estudo, segundo os cientistas, oferece percepções que podem agregar as práticas de saúde bucal ao chamado “Life’s Essential 8” — ferramenta que ajuda a mensurar o bem-estar cardíaco a partir de uma “checklist”. Essa lista inclui fatores de risco como tipo de dieta, atividade física, exposição à nicotina, sono, índice de massa corporal, etc.

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