No seu entender, se nada for feito, como a reforma do Estado, em dois anos não haverá condições de sustentar o governo. «Temos dois pilares básicos da economia no vermelho, abalados: o déficit nas contas públicas e a produtividade.»
Segundo ele, o déficit nas contas públicas começou a ser sanado com a reforma previdenciária. Mas isso foi gasto com os recursos destinados à pandemia do novo coronavírus. E alertou que, se não houver reforma do Estado brasileiro, «que é grande e gasta mal», em dois anos não haverá condições de sustentar o governo. «É responsabilidade do nosso governo nesses dois anos trabalhar para superar os obstáculos, fazer as privatizações e equilibrar as contas púbicas, a fim de transmitir confiança para os investidores que desejam trazer seus recursos para o Brasil.»
Na palestra, ele criticou que os recursos de impostos e da dívida se perderam em gestões incompetentes e na corrupção, ao longo da crise gestada nos últimos 30 anos. Sobre as projeções para o PIB, ele destacou: «Tenho firme crença que a queda do PIB será de 4,5%; menos da metade dos prognósticos.»
Depois de lamentar que nesses dois anos de governo não foi possível avançar nas privatizações, ele falou que a nossa produtividade é baixíssima por conta dos problemas de infraestrutura. «O governo não tem dinheiro para infraestrutura e precisa atrair parceiro privado e, para atrair parceiro privado, precisamos ter ambiente amigável e com segurança jurídica», frisou. E criticou também a Constituição brasileira, que no seu entender, não olhou futuro e colocou muitos deveres ao governo.
Para Mourão, é preciso investir na reforma tributária, que está madura. «Precisamos organizar e simplificar os impostos», defendeu, destacando que isso é consenso. «Nosso sistema tributário custa R$ 70 bilhões ao ano (para governo e sistema produtivo), o que é muito», avaliou.
Sobre o novo coronavírus, ele disse que o País não saiu da primeira onda. «Na minha visão a pandemia nunca saiu da primeira onda; agora é repique», disse, elogiando o sistema público de saúde brasileiro, que foi capaz – junto com o governo brasileiro – de trabalhar de forma eficiente na pandemia.
E destacou: «Lamentamos as 176 mil vítimas, mas o trabalho da nossa medicina e dos gestores foi fantástico.»
Mourão disse também achar complicado a prorrogação do pagamento do auxílio emergencial pago pelo governo nessa pandemia, que termina neste mês.











