Impacto pode ser maior nos chamados ‘rios voadores’ que o desmatamento total do bioma. Simulações foram feitas em supercomputador do Inpe. Resultado traz alerta para o combate às mudanças climáticas.
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Aumento nas emissões de carbono pode reduzir em 12% volume de chuvas nos 9 países da Amazônia, diz estudo
Impacto pode ser maior nos chamados ‘rios voadores’ que o desmatamento total do bioma. Simulações foram feitas em supercomputador do Inpe. Resultado traz alerta para o combate às mudanças climáticas.
Por Cristiane Paião, Isabela Leite e Viviane Sousa, GloboNews
24/04/2021 05h00 Atualizado há 2 horas
Arvores na floresta amazônica no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Setec/Divulgação
A elevação dos níveis de gás carbônico (CO2) na atmosfera mundial pode causar uma queda anual de 12% no volume de chuvas nos 9 países que compõem o bioma amazônico nas próximas décadas, se o aumento não for urgentemente controlado.
É o que apontou um estudo internacional publicado na revista “Biogeosciences” por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Técnica de Munique e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com os cientistas, uma alta de 50% nos níveis de gás carbônico (CO2) pode ter um efeito na diminuição das chuvas similar ou até mesmo maior ao da substituição de 100% da mata por pastagens, o que equivaleria ao desmatamento total, e diminuiria a precipitação em valores muito acima da variação natural de 5% entre um ano e outro.
Os resultados chamam a atenção para a necessidade de medidas globais e regionais urgentes para conter as emissões de CO2, causadas, sobretudo, pela atividade industrial, transportes e geração de energias não limpas, por exemplo.
Além disso, com a diminuição da transpiração das árvores, por causa excesso do CO2, a temperatura média pode ter um aumento de até dois graus, uma vez que há menos gotículas de água para amenizar o calor.
Esse fator pode iniciar uma cascata de fenômenos que resultam na inibição da formação da chamada convecção profunda (nuvens de chuva muito altas e carregadas de vapor d’água), com efeito contrário: a estiagem.
As simulações foram feitas no supercomputador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, em Cachoeira Paulista, SP. Nos dois cenários projetados, a redução das chuvas seria causada por uma queda de aproximadamente 20% na transpiração das folhas. As razões para essa diminuição, porém, são diferentes em cada uma das situações.
Como as folhas das árvores possuem em sua superfície aberturas microscópicas, chamadas de estômatos, que captam o CO2 para a fotossíntese, esse processo fica prejudicado com o excesso de gás carbônico. É como se, com o excesso de alimento, a planta ficasse em um desequilíbrio que, ao invés de ajudar, só atrapalha. Os estômatos se abrem e captam a quantidade necessária do gás, ao mesmo tempo em que emitem vapor d’água. No cenário com mais dióxido de carbono no ar, as folhas ficam menos tempo com os estômatos abertos. Com isso, emitem menos vapor e diminuem a formação de nuvens e, portanto, de chuvas.
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Vista aérea de área desmatada na floresta amazônica. — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino
“Como o CO2 é um insumo básico da fotossíntese, quando ele aumenta na atmosfera há um impacto na fisiologia das plantas, o que pode ter um efeito cascata sobre a transferência de umidade das árvores para a atmosfera [transpiração], formação de chuvas na região, biomassa da floresta e uma série de outros processos”, explica David Montenegro Lapola, professor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, que liderou o estudo.
Agora, os pesquisadores querem testar outros modelos computacionais para comparar os resultados simulados. Novos experimentos vão ser feitos pelo projeto AmazonFACE (“Free-Air Carbon Dioxide Enrichment”, na sigla em inglês). Instalado ao norte de Manaus, ele vai aumentar a concentração de gás carbônico em pequenas parcelas de floresta, a fim de verificar as reais mudanças fisiológicas e atmosféricas causadas pelo aumento do dióxido de carbono. “O objetivo é tentar projetar possíveis alterações e, se antecipar, ao cenário climático previsto para este século”, explica o pesquisador da Unicamp.
Créditos de carbono
A pesquisa traz ainda o alerta de que, mesmo que o Brasil encontre parceiros em números suficientes para a compra e venda do chamado “mercado de carbono”, a floresta amazônica poderia simplesmente não dar conta de reter o CO2, por causa do impacto em termos de mudanças climáticas, que já começou a chegar. Tema bastante discutido nos últimos dias, o “carbono brasileiro” foi colocado como essencial para a política ambiental pelo presidente Jair Bolsonaro durante o discurso desta quinta-feira (22), na Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a compra e venda do gás – um dos maiores vilões do efeito estufa – mas este assunto desperta debates entre os cientistas.
“Não vai adiantar nada se nós não pararmos a emissão do carbono e o desmatamento, porque não existe atmosfera brasileira, a atmosfera é de todos os países, substâncias que são lançadas em países distantes rapidamente chegam aqui e também impactam as nossas florestas, então, se nós apostarmos em crédito de carbono, mas não tentarmos barrar as mudanças climáticas, não haverá crédito de carbono para vender, porque a floresta vai parar de absorver carbono na atmosfera”, destaca Lapola.
Alerta para São Paulo
De acordo com especialistas, o desmatamento da Amazônia tem impacto direto em outras regiões e biomas do país. Provocando, inclusive, a escassez de chuva no sudeste por causa do impacto nos chamados “rios voadores”, que deslocam a humidade em correntes de ar, situação que reacende o sinal de alerta no estado de São Paulo, na medida em que os níveis dos mananciais começam a cair.
Na região metropolitana da capital paulista, os dois principais reservatórios estão com o nível de armazenamento mais baixo do que em 2013, ano em que começou uma das maiores crises hídricas de São Paulo. O Sistema Cantareira, o maior do estado e o mais importante para a grande São Paulo, está com 51% da capacidade de armazenamento. Em 2013, estava com 63% nesse mesmo período. Já o Alto Tietê, segundo maior do estado, opera com 59,3%, e em 2013 estava com 67,2%.
Atualmente, o volume armazenado nos 7 sistemas de mananciais de São Paulo é de 1.141,97 hm³ (milhões de metros cúbicos), abaixo de 2013 – quando eram 1268,24 hm³. Isso, já contando o novo sistema São Lourenço, que não existia em 2013 e foi inaugurado em 2018. De acordo com dados do Inmet, neste mês de abril choveu 49,4 milímetros, o que representa cerca de 40% dos 82,1 mm da média histórica para o mês. Contudo, no Sistema Cantareira, choveu apenas 8,5mm, ou seja, 10% do esperado para o mês, de um total de 83,1 mm.
Por tudo isso, alguns especialistas estão preocupados com uma possível crise em 2022. “É muito importante que a população perceba que a mudança climática decorrente do desmatamento da Amazônia não é uma aposta para o futuro, não é algo que pode acontecer, isso já está acontecendo, ressalta Pedro Cortês, geólogo, especialista em recursos hídricos e professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
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Vista aérea feita com drone da Represa do Jaguari, partindo da cidade de Jacareí, no interior paulista, que compõe o Sistema Cantareira — Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo
De acordo com o pesquisador, está chovendo menos no Sistema Cantareira nos últimos 10 anos porque as chuvas que o abastecem dependem da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCA), e dos “rios voadores” que vem da Amazônia e irrigam com chuvas as regiões Sudeste e Sul do Brasil. Essas chuvas têm origem na Amazônia como um todo, incluindo a parte internacional do bioma que tem sofrido fortemente impactos ambientais. Com isso, o Sistema Cantareira, segundo ele, tem apresentado déficit nos gráficos. Uma possível saída, seria, para ela, que as autoridades competentes trabalhassem mais ativamente prognósticos climáticos que indicassem redução de chuvas inclusive no verão. Além disso, também seria prediso estimular a população a economizar água por meio de campanhas mais incisivas, adotando novamente a política de bônus, por exemplo, para quem economizasse água.
“Ao longo dos últimos 10 anos nós pagamos mais caro pela conta da energia elétrica que é gerada nas termelétricas ao invés das hidrelétricas, e isso repercute também no abastecimento na região metropolitana de São Paulo e em outras regiões. Ou seja, nós já temos o prejuízo que é monetizável em relação ao desmatamento da Amazônia, então, seria necessário interromper esse processo e não só isso iniciar um processo de recuperação das áreas degradadas para evitar que esse feito se intensifique”, conclui Cortês.
Resposta da Sabesp
A Sabesp informa que não há risco de desabastecimento neste momento na Região Metropolitana, mas reforça a necessidade do uso consciente da água em qualquer época. Composto por sete mananciais (Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço), o sistema é integrado, permitindo transferências rotineiras entre regiões e dando mais segurança ao abastecimento. Isso é possível porque obras vêm sendo realizadas desde a crise hídrica, com destaque para a Interligação Jaguari-Atibainha (que traz água da bacia do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira) e o novo Sistema São Lourenço. Além das obras e ações, campanhas sobre o uso consciente são veiculadas ao longo do ano. Nesta quarta (21/4), o Sistema Integrado opera com 58,7% da capacidade, nível similar, por exemplo, aos 63,5% de 2018, quando não houve problemas. A projeção da Sabesp aponta níveis satisfatórios para passar pela estiagem (maio a setembro), mas, mais uma vez, a Companhia reforça a necessidade de uso consciente. G1