Modelo teve dinheiro bloqueado após intervenção em banco e teme perder emprego. Escândalo financeiro atingiu milhões de pessoas e levou presidente do país a renunciar

 SP (FOLHAPRESS) – Larissa Riquelme, 41, que ficou conhecida como musa da seleção paraguaia na Copa do Mundo de 2010, está entre os milhões de pessoas afetadas pela crise financeira que tomou conta do Paraguai nos últimos dias. A modelo teve dinheiro e investimentos bloqueados após a intervenção no Ueno Bank e também enfrenta a possibilidade de perder o emprego.

Em entrevista ao Band Entretê, ela contou que trabalhava na VMedia, empresa de comunicação ligada ao mesmo grupo que controlava o banco. «Mais de 300 funcionários foram desligados. Temos participado de manifestações e estamos vivendo dias de muita preocupação e incerteza», afirmou.

«Sou afetada profissional e financeiramente, porque também abri mão de outras oportunidades para me dedicar à empresa», continuou. Apesar de ter outras fontes de renda como influenciadora, Larissa explicou que concentrava boa parte de seus ganhos na instituição. «A maior parte dos meus rendimentos estava concentrada no Ueno Bank, onde também tenho uma aplicação de renda fixa.»

A situação profissional também segue indefinida. Segundo a modelo, a estrutura da empresa já foi desmontada, mas ela ainda não recebeu uma notificação formal de demissão. «Tomamos conhecimento da situação por meio do Ministério Público, e alguns colegas receberam avisos, mas poucos foram formalmente notificados», relatou.

Larissa afirmou que alguns funcionários já recorreram à Justiça, enquanto outros aguardam esclarecimentos. A preocupação, no entanto, vai além do próprio futuro. «Estamos falando de dinheiro que representa anos de trabalho e planejamento. No meu caso, também tenho um investimento e estou aguardando informações oficiais sobre os próximos passos.»

«São economias de uma vida, salários e recursos que sustentam muitas famílias. Minha preocupação vai muito além da minha situação pessoal», acrescentou.

A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, nesta terça-feira (3). A instituição, que reúne cerca de 2,9 milhões de clientes, apresentou um índice de solvência de 5,56%, menos da metade do mínimo exigido no país. Com a suspensão das operações, correntistas ficaram sem acesso ao próprio dinheiro.

O escândalo também provocou uma crise política que levou o presidente Santiago Peña a apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à pressão por um processo de impeachment. A saída, porém, ainda não havia sido formalmente aceita nesta sexta-feira (6), e o mandatário seguia no cargo enquanto enfrentava o julgamento político no Senado.

Para Larissa, o momento é «muito triste e preocupante para o país». «Como cidadã e pessoa afetada, espero que a renúncia venha acompanhada de respostas concretas», declarou. Ela também cobrou «transparência, uma investigação que esclareça as responsabilidades e, principalmente, soluções para os trabalhadores e para quem está sem acesso ao próprio dinheiro».

O Banco Central paraguaio informou que depósitos de até 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 205 mil) por pessoa estão protegidos pelo fundo garantidor. Valores acima desse limite dependem do processo de resolução do banco e podem não ser recuperados integralmente. «O valor que ultrapassa esse limite depende do processo de resolução ou de uma eventual liquidação, sem garantia de recuperação integral», explicou Larissa.