Análise de revisões encomendadas pela OMS não encontrou associação entre uso de celular e câncer no cérebro, cabeça ou pescoço

Uma das perguntas mais frequentes sobre saúde e tecnologia finalmente tem uma resposta mais sólida. Um novo estudo analisou 63 pesquisas publicadas entre 1994 e 2022 e não encontrou nenhuma associação entre o uso de celular e câncer no cérebro, na cabeça ou no pescoço, segundo artigo publicado no New Zealand Medical Journal.

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O resultado se manteve independentemente de quanto tempo a pessoa usava o celular por dia ou há quantos anos ela o utilizava, incluindo pessoas com mais de dez anos de uso contínuo.

Por que essa preocupação existe

O medo tem raízes históricas, de acordo com o The Conversation. Durante a Guerra Fria, quando micro-ondas e televisores chegaram às casas, surgiram as primeiras dúvidas sobre os efeitos da radiação eletromagnética na saúde. O episódio mais marcante foi a suspeita de que a União Soviética teria usado sinais eletromagnéticos para irradiar funcionários da embaixada americana em Moscou, um dos quais desenvolveu leucemia.

O raciocínio que alimentou o medo é compreensível: se formas de alta energia de radiação eletromagnética (como os raios X) podem causar câncer, será que as ondas de rádio dos celulares também poderiam?

A resposta curta é não. As ondas emitidas por celulares estão na extremidade mais fraca do espectro eletromagnético, com a menor energia e o maior comprimento de onda. Elas são fisicamente incapazes de danificar o DNA da forma que raios X e radiação ionizante fazem.

O que o estudo analisou

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde encomendou 13 revisões científicas sobre os efeitos das ondas eletromagnéticas na saúde humana, cobrindo desde fertilidade e sintomas como dores de cabeça e zumbido até diferentes tipos de câncer.

O novo estudo resume os resultados dessas revisões antes que a própria OMS conclua sua análise oficial. Os autores são os mesmos responsáveis pela revisão sobre câncer cerebral, o que torna o resumo especialmente relevante.

O que foi encontrado

A revisão sobre câncer cerebral analisou 63 estudos e não encontrou associação com o uso de celular. As outras revisões, sobre outros dispositivos que emitem ondas eletromagnéticas, chegaram a conclusões semelhantes: nenhuma evidência de efeito sobre a saúde humana.

Há, porém, uma ressalva importante: para muitos efeitos de saúde além do câncer cerebral, a quantidade e a qualidade das evidências disponíveis ainda são insuficientes para conclusões definitivas.