José Pedro Friedmann Angeli foi reconhecido com um dos mais importantes prêmios de pesquisa em câncer da Alemanha por seu trabalho sobre a ferroptose

O pesquisador brasileiro José Pedro Friedmann Angeli foi reconhecido com um dos mais importantes prêmios de pesquisa em câncer da Alemanha por seu trabalho sobre a ferroptose, um mecanismo de morte celular que pode abrir caminho para novas estratégias de tratamento contra tumores agressivos e resistentes a medicamentos.

A premiação é considerada uma das mais prestigiadas da área no país e concedeu o reconhecimento ao cientista na categoria de pesquisa experimental.

Professor e pesquisador da Universidade de Würzburg (Alemanha), Angeli afirmou que o prêmio reconhece as descobertas feitas por seu grupo sobre os mecanismos biológicos que regulam a ferroptose e sua possível aplicação no tratamento do câncer.

“A gente ganhou pelas descobertas da biologia, do processo fundamental de regulação da ferroptose. E isso tem relevância para o câncer devido a esse grande interesse em eliminar essas células que são resistentes a drogas”, afirmou o pesquisador.

O que é a ferroptose

  • A ferroptose é um tipo de morte celular associada à degradação de gorduras por meio da oxidação de ácidos graxos presentes nas células;
  • Para explicar o fenômeno, Angeli faz uma comparação com alimentos deixados fora da geladeira:
  • “O processo de ferroptose envolve a oxidação de ácidos graxos. O jeito talvez mais fácil de visualizar isso é se, por exemplo, você pega um pedaço de queijo, você pega uma manteiga e você esquece fora da geladeira. Ela vai mudar de cor, o sabor vai mudar. E todo esse processo de oxidação é basicamente isso o que acontece: o oxigênio modificando lipídios. E isso acontece nas células também. As células são compostas de ácidos graxos e esses ácidos são vulneráveis ao ataque por espécies reativas de oxigênio”, explicou;
  • Segundo o pesquisador, a ferroptose pode ter efeitos distintos dependendo do contexto. Enquanto o mecanismo pode estar relacionado ao desenvolvimento de algumas doenças, sua indução controlada também pode representar uma forma de eliminar células cancerígenas;
  • “Sempre quando a gente trabalha com morte celular, tem essas duas vias. Você tenta entender para prevenir e entender para induzir”, disse.

Pesquisa ainda está em estágio inicial

Nos últimos anos, a ferroptose tem sido alvo de estudos em diversos países, incluindo o Brasil. Apesar do avanço das pesquisas, muitos dos mecanismos moleculares responsáveis pelo controle desse processo ainda estão sendo investigados.

O grupo liderado por Angeli contribuiu para esclarecer o papel essencial de uma enzima envolvida na regulação da ferroptose e também desenvolveu compostos com elevado potencial terapêutico.

Foi justamente a combinação entre pesquisa básica em biologia e o desenvolvimento de novos fármacos que garantiu ao cientista o reconhecimento com o Prêmio Alemão do Câncer.

Apesar dos resultados promissores, Angeli ressalta que ainda há um longo caminho até que essas descobertas possam ser aplicadas em pacientes.

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