Anotações do aposentado João dos Santos começaram na fazenda onde ele morou, passaram pelo trabalho como motorista e têm sido marcada com mensagens à esposa Glorinha, que faleceu em abril deste ano.

Entre páginas e memórias, a trajetória de trabalho como motorista, o amor à esposa e o dia a dia na fazenda, ao lado da lida com o pai. Assim são os cadernos do aposentado João dos Santos, de 98 anos, que desde a adolescência têm o hábito de anotar diariamente o cotidiano.

Na casa dele, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, em Juiz de Fora, são cerca de 80 cadernos e milhares de páginas contando o dia a dia como forma de lembrança a afeto.

Mesmo com as mãos frágeis devido à idade, os cadernos recebem as anotações diárias, como no dia que se lembrou da esposa Glorinha, que faleceu em abril deste ano.

“Glória, estou sempre com o pensamento em você. Olho para o quarto e não te vejo. Olho para a copa e não te vejo. Olho para a cozinha e não te vejo. Você está no céu com Deus”, releu emocionado no caderno.

Segundo Valéria Vieira, nora do idoso, não há como pensar na rotina do aposentado longe dos cadernos. «A vida dele tá toda nestes cadernos. E todos os dias ele mexe neles, todos os dias ele anota o que viveu».

Conforme senhor João, enquanto estiver vivo e em condições, os cadernos não deixarão de ser preenchidos.

«Faltam dois anos para eu chegar nos 100. Enquanto eu tiver vivo, vou continuar anotando.»

Por Letícia Damasceno, TV Integração — Juiz de Fora