A análise coincide com avaliação da Fiocruz. Em boletim extraordinário, a instituição afirmou que o Brasil vive «o maior colapso sanitário e hospitalar da história». Para reduzir o impacto da tragédia, dizem especialistas, medidas severas de restrição de circulação devem ser adotadas imediatamente.
Pela primeira vez desde o início da epidemia no País, os números de novos casos e mortes pela covid crescem exponencialmente em todos os Estados. Esse é um indicador importante de que a doença está fora de controle, segundo o coordenador da Rede Análise Covid, o cientista Isaac Scharstzhaup.
«Como a doença veio de fora, ela chegou de avião, inicialmente às principais capitais, e logo começou a se espalhar de cidade em cidade. Na metade do ano passado, muitas capitais estavam sofrendo, mas muitas cidades do interior não tinham sequer um caso da doença; a distribuição dos casos era muito díspar», explicou Scharstzhaup. «Agora, desde a virada do ano, a tendência de aumento é geral; o que muda de um Estado para o outro é apenas a velocidade de transmissão.» Segundo ele, só a adoção de medidas severas de restrição de mobilidade por todo o País, de forma coordenada, pode deter a pandemia; ações pontuais são inócuas.
«Não adianta fazer lockdown de fim de semana, de sete dias», explicou. «O ciclo de contágio do vírus é de 14 dias. Por isso nunca chegamos a zerar o número de casos, como a Europa conseguiu na primeira onda», afirmou. «Quando as restrições não são feitas corretamente, temos uma estabilização em patamar alto. O Brasil teria de fazer uma restrição forte e não ceder, esperar a real desaceleração.»
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.










