Coronavírus: ‘Vamos viver o pior março da nossa geração’, diz presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia

Presidente da SBI afirmou que é preciso que o decreto com restrições de atividades no Paraná seja prorrogado e adesão às medidas de isolamento seja maior. Total de pessoas internadas bateu recorde pelo 9º dia consecutivo no estado.

Por G1 PR

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns da Cunha, afirmou nesta sexta-feira (5), que, diante do cenário da pandemia do novo coronavírus no Paraná, este mês deve ser o pior março “da nossa geração”.

“Possivelmente vamos viver o pior março das nossas vidas em termos de saúde pública. Vamos viver o pior março da nossa geração, porque realmente é uma situação perto da tragédia, perto da catástrofe, você não ter um leito de hospital para oferecer”, disse.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), a ocupação de leitos de UTI do SUS para pacientes com Covid-19 no estado na quinta-feira (4) bateu recorde, chegando a 96%. Atualmente, o Paraná tem 1.372 leitos de UTI Covid-19 do SUS.

O número total de pessoas internadas com Covid-19 ou suspeita, nas redes pública e privada, em leitos de UTI ou enfermaria, na quinta-feira era de 4.092, também recorde. São nove dias seguidos com recorde de internamentos.

A fila de pacientes que aguardam por uma vaga em UTI ou enfermaria também chegou ao maior número desde o início da pandemia, com 811 pessoas.

Segundo o presidente da SBI, é preciso que as medidas restritivas adotadas pelo governo estadual desde sábado (27) sejam prorrogadas e que a adesão ao isolamento social seja maior.

“Se a população não se convencer disso, ela tem que saber que ela está sendo responsável por causar esse caos”, afirmou.

O decreto em vigor no Paraná determina toque de recolher das 20h às 5h, fechamento de atividades não essenciais e suspensão das aulas.

Desde que as medidas foram adotadas, o índice de isolamento social no estado nos dias de semana variaram entre 34% e 35%, segundo a empresa In Loco, que usa dados de localização extraídos de celulares.

“Quando nos chegamos nesse momento que começamos a ter falta de leitos, nós precisamos de um remédio amargo que é fazer um lockdown, ou algo próximo de um lockdown”, disse o presidente da SBI.

A opinião é compartilhada com o presidente da Sociedade Paranaense de Medicina Intensiva, Rafael Deucher.

Ele afirmou que, pelo cenário atual, em breve médicos passarão a ter que escolher quem deve ser intubado nas alas de UTI do estado.

“Se as pessoas não respeitarem distanciamento, continuarem a circular, não usarem máscara, não lavarem as mãos e a transmissibilidade continuar, elas vão ter uma infeliz surpresa, porque ou vai morrer alguém da família dela ou ela vai morrer ou ela vai encontrar alguém morto na rua”, disse.

Pandemia no Paraná

De acordo com dados da Sesa divulgados na quarta-feira (2), 11.888 pessoas morreram no estado vítimas da doença.

Ao todo, desde o início da pandemia, 656.410 pessoas testaram positivo para Covid-19 no Paraná.

Até quinta-feira, 331.934 pessoas tinham sido vacinadas contra a Covid-19 no estado, o que representa cerca de 2,9% da população do estado.