A divulgação da carta ocorre em um momento em que governadores e secretários de Saúde têm pedido ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, uma medida única para o país para frear o avanço da Covid-19

Entre as ações recomendadas, está a adoção de um toque de recolher nacional das 20h às 6h, suspensão das aulas presenciais e lockdown nas regiões «com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação de casos e mortes».

O documento é assinado pelo Conass, conselho que reúne os 27 gestores da área. No texto, endereçado à «população brasileira», o grupo cita a ausência de coordenação nacional como um dos fatores para a queda na adesão a medidas de isolamento e pede que haja um «pacto pela vida».

Em uma espécie de alerta, o grupo diz que o agravamento da epidemia em diversos estados «leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil».

«Infelizmente, a baixa cobertura vacinal e a lentidão na oferta de vacinas ainda não permitem que esse quadro possa ser revertido em curto prazo», apontam os gestores, que citam então uma lista de medidas para tentar evitar o colapso na rede de saúde.

Além do que chamam de «restrição em nível máximo das atividades não essenciais» em regiões com mais de 85% dos leitos ocupados, o que equivaleria a um lockdown, secretários recomendam que sejam vetados eventos, congressos e atividades religiosas em todo o país, suspensas aulas presenciais e adotado toque de recolher das 20h às 6h e fechados praias e bares, por exemplo.

O documento pede ainda que sejam «considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual», além de adotadas medidas para reduzir a superlotação no transporte coletivo e ampliada a testagem de casos suspeitos.

«Entendemos que o conjunto de medidas propostas somente poderá ser executado pelos governadores e prefeitos se for estabelecido no Brasil um «Pacto Nacional pela Vida» que reúna todos os poderes, a sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, das grandes instituições religiosas e acadêmicas do País, mediante explícita autorização e determinação legislativa do Congresso Nacional.»

Ainda no documento, o grupo diz que a «ausência de condução nacional unificada e coerente» dificultou a adoção de medidas para reduzir interações sociais, que aumentaram nos últimos meses.

«O relaxamento das medidas de proteção e a circulação de novas cepas do vírus propiciaram o agravamento da crise sanitária e social, esta última intensificada pela suspensão do auxílio emergencial», relatam.

A divulgação da carta ocorre em um momento em que governadores e secretários de Saúde têm pedido ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, uma medida única para o país para frear o avanço da Covid-19.
A resposta, porém, tem sido negativa.

Na última quinta (25), o ministro chamou secretários de Saúde para um pronunciamento sobre o agravamento da epidemia. No encontro, Pazuello chegou a citar três medidas prioritárias para lidar com a crise -como reforço ao atendimento imediato a pacientes com sintomas, aumento de leitos de UTI e reforço na vacinação-,mas evitou citar medidas simples e recomendadas por especialistas, como evitar aglomerações. O apelo coube aos gestores de saúde.